Mulheres freelancers ganham 25,6% menos que homens no Brasil, aponta estudo

06/08/2026
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Um estudo elaborado pela Remitly aponta que as mulheres que trabalham como freelancers no Brasil cobram, em média, 25,6% menos por hora do que os homens. Os dados foram divulgados com exclusividade ao JOTA.

O levantamento analisou informações de mais de 58 mil freelancers cadastrados na plataforma norte-americana Upwork, utilizada por profissionais autônomos que oferecem serviços sem vínculo empregatício fixo com as empresas contratantes.

Segundo a pesquisa, as freelancers brasileiras cobram, em média, US$ 27,57 por hora trabalhada — cerca de R$ 144,01 —, enquanto os homens cobram US$ 37,06, aproximadamente R$ 193,58. A diferença coloca o Brasil acima da média global de desigualdade entre freelancers, que é de 19%.

Brasil supera a média global de desigualdade

No cenário mundial, as mulheres freelancers recebem, em média, US$ 31,33 por hora (cerca de R$ 163,65), contra US$ 38,66 cobrados pelos homens. No ranking global de disparidade, o Brasil não aparece entre os primeiros: a liderança ficou com a Tailândia, onde a diferença entre homens e mulheres freelancers chega a 51,7%.

O estudo também apontou diferenças relevantes em países europeus, como Romênia (33,3%), Geórgia (30,6%), Espanha (28,1%), Armênia (28%) e Suíça (27%).

Consultoria de marketing tem a maior diferença no Brasil

Ao analisar funções específicas, o levantamento identificou que a maior diferença de remuneração entre freelancers brasileiros aparece na área de consultoria de marketing, na qual as mulheres cobram 65,6% menos do que os homens pela hora trabalhada.

O índice brasileiro fica abaixo apenas de alguns casos extremos observados no exterior, como a Espanha, onde a diferença entre copywriters freelancers chega a 77,3%, e os Emirados Árabes Unidos, com disparidade de 71,9% entre consultores de gestão. As áreas de finanças e contabilidade também estão entre as mais afetadas pela diferença de remuneração.

Mercado freelancer tem dinâmica própria

Para Danielle Treharne, vice-presidente da Remitly, os dados mostram que o mercado freelancer tem características próprias e nem sempre acompanha os padrões observados no emprego formal. Segundo a executiva, a economia independente é influenciada por fatores como posicionamento profissional, acesso a clientes internacionais e capacidade de negociação de projetos.

Ankur Tiwari, vice-presidente da Remitly Business, destacou que os profissionais que conseguem atuar internacionalmente precisam se apresentar de forma competitiva. Para a empresa, reduzir as diferenças de remuneração entre homens e mulheres freelancers exige ações específicas para esse modelo de trabalho, considerando fatores como acesso a oportunidades, valorização profissional e posicionamento no mercado digital.


Fonte: Com informações de Contábeis

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